Encurralado

O Bitcoin está preso sob a base de custo de quem comprou nos últimos dois anos, os ETFs voltam a vender e o CPI de setembro veio quente. Mas a base resiste: o preço está acima da Média Real do Mercado e da base de custo dos ETFs, as perdas secaram e esta baixa nunca fechou abaixo do Preço Realizado.

Encurralado

Resumo Executivo

  • Os compradores dos últimos dois anos têm base de custo acima de US$ 88 mil e já fizeram o preço recuar duas vezes neste ano.
  • O Bitcoin se mantém acima da Média Real do Mercado (True Market Mean) e por duas vezes repicou ao testar a Base de Custo dos ETFs à Vista dos EUA (US Spot ETF Cost Basis), perto de US$ 81,5 mil.
  • Os investidores de longo prazo em grande parte deixaram de vender com prejuízo, e quem está em lucro agora gasta mais moedas do que quem está em prejuízo, como em recuperações anteriores.
  • As compras dos ETFs no fim de setembro não duraram, e os fundos voltaram a ser vendedores líquidos.
  • Concentrações de liquidação de tamanho semelhante estão dos dois lados do preço, e as maiores ordens de compra no livro de ofertas da Binance se acumularam em US$ 80 mil.
  • Ao contrário dos mercados de baixa de 2018 e 2022, este nunca fechou abaixo do Preço Realizado (Realized Price), e sua mínima ficou bem acima da Base de Custo do LTH (Long-Term Holder Cost Basis).
  • O CPI de setembro veio acima das projeções, com uma decisão de juros em outubro e as eleições de meio de mandato nos EUA ainda pela frente.
  • As altcoins mostram euforia moeda a moeda, mas a euforia no mercado como um todo ainda é baixa.

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Preso Abaixo de Quem Comprou no Topo

Dois grandes grupos de investidores estão acima do preço. As moedas compradas há 6 a 12 meses, na fase final do rali de 2025 e na queda que se seguiu, têm base de custo de cerca de US$ 88 mil. As moedas compradas há 1 a 2 anos estão ainda mais acima, perto de US$ 100 mil.

As duas linhas já fizeram o preço recuar neste ano. O Bitcoin subiu até a base de custo de 6 a 12 meses em janeiro e depois caiu mais de um terço. Em maio, chegou à base de custo de 1 a 2 anos e caiu cerca de um quarto. Os investidores de 1 a 2 anos também intensificaram suas vendas durante o rali do início de outubro.

Até que o Bitcoin feche acima de US$ 88 mil, cada nova alta esbarra em investidores que podem vender perto do seu ponto de equilíbrio.

O preço está abaixo da base de custo dos compradores dos últimos dois anos
Gráfico ao Vivo

Firme Acima das Bases de Custo

O Bitcoin é negociado acima da Média Real do Mercado, a base de custo média dos investidores ativos, perto de US$ 78 mil, e ainda mais acima da Base de Custo do STH (Short-Term Holder Cost Basis). O preço se mantém acima das duas desde 18 de setembro, o trecho que o gráfico destaca como regime de alta.

Uma terceira linha está agora mais perto do preço: a Base de Custo dos ETFs à Vista dos EUA, o preço médio que os ETFs à vista dos EUA pagaram pelas moedas que detêm, em cerca de US$ 81,5 mil. O Bitcoin chegou a cair abaixo dela em 8 de outubro e de novo em 13 de outubro, e nos dois dias fechou de volta acima dela. Todos os fechamentos diários desde 21 de setembro ficaram acima dessa linha.

Um fechamento diário abaixo dela colocaria o investidor médio dos ETFs de volta no prejuízo e eliminaria o suporte on-chain mais próximo.

O BTC ainda está acima da Média Real do Mercado e apoiado na base de custo dos ETFs
Gráfico ao Vivo

As Perdas Secaram

Os investidores de longo prazo em grande parte deixaram de vender com prejuízo. A Perda Realizada (Realized Loss) desse grupo atingiu o pico em 12 de agosto e, desde então, caiu cerca de 85%. Em 2022, o pico dessas perdas ocorreu a poucas semanas da mínima do ciclo.

Com essas vendas em grande parte concluídas, as moedas que trocam de mãos são cada vez mais vendidas com lucro.

As perdas dos investidores de longo prazo recuaram bem abaixo do pico do ciclo
Gráfico ao Vivo

Quem Realiza Lucros Volta a Liderar

A Distribuição de Preço das Saídas Gastas (Spent Output Price Distribution) classifica as moedas gastas a cada dia pelo preço de sua última movimentação e, assim, mostra de onde vem a oferta de hoje. Em todo mercado de baixa desde 2011, os investidores em prejuízo gastaram mais moedas do que os investidores em lucro, e em todo mercado de alta ocorreu o inverso. Na mínima de junho, as moedas gastas com prejuízo superaram as gastas com lucro na proporção de cerca de doze para uma.

A balança virou no fim de agosto. Quem está em lucro agora gasta cerca de quatro moedas para cada moeda gasta com prejuízo. A realização de lucros pode frear um rali, mas esse mesmo equilíbrio prevaleceu em todo mercado de alta anterior.

Os investidores em prejuízo gastaram mais do que os investidores em lucro em todo mercado de baixa
Gráfico ao Vivo

Os ETFs Voltam a Vender

Os ETFs à vista dos EUA compraram com força quando o Bitcoin rompeu os US$ 85 mil no fim de setembro. Entre 21 de setembro e 6 de outubro, eles captaram quase US$ 3 bilhões, seu ritmo de compras mais rápido desde novembro de 2025.

Essas compras não duraram. Desde 7 de outubro, os fundos registraram cerca de US$ 760 milhões em saídas líquidas. Com os ETFs vendendo e os compradores do topo vendendo perto do seu ponto de equilíbrio, há pouca demanda nova por trás do preço. Uma retomada de entradas consistentes nos ETFs seria o sinal mais claro de que a demanda voltou.

A volta das compras dos ETFs à vista não durou
Gráfico ao Vivo

Níveis dos Dois Lados

O posicionamento em futuros deixa espaço para movimentos nas duas direções. No mapa de calor de liquidações (liquidation heatmap) de dois meses, que modela onde posições alavancadas seriam forçadas a fechar, o bloco de níveis ao redor do preço encolheu mais de um quinto em uma semana. As maiores concentrações agora estão mais distantes e têm aproximadamente o mesmo tamanho: uma logo abaixo de US$ 80 mil, a outra perto de US$ 88 mil.

Se o preço escorregar para baixo de US$ 80 mil, a venda forçada de posições compradas pode aprofundar a queda. Uma alta até a concentração perto de US$ 88 mil, bem na base de custo de 6 a 12 meses, pode forçar quem está vendido a recomprar e levar o preço para cima por algum tempo. Sem demanda no mercado à vista por trás, esse short squeeze esbarraria nas vendas dos compradores do topo e seria difícil de sustentar.

O preço voltou para dentro de um bloco de níveis que está encolhendo
Gráfico ao Vivo

Ordens de Compra se Acumulam em US$ 80 mil

Na semana passada, este relatório apontou as ordens de compra em US$ 81 mil no livro de ofertas à vista da Binance. O Bitcoin as atravessou em 8 de outubro, e o maior bloco de ordens de compra está agora um nível abaixo, em US$ 80 mil. Ele cresceu com força no fim do dia 8 de outubro e se mantém desde então.

O bloco fica logo abaixo da Base de Custo dos ETFs à Vista dos EUA, de modo que a zona entre US$ 80 mil e US$ 81,5 mil é onde o suporte do livro de ofertas e o suporte on-chain se sobrepõem. Um rompimento abaixo dessa zona colocaria em jogo a concentração de liquidações logo abaixo de US$ 80 mil e, depois, a Média Real do Mercado, perto de US$ 78 mil.

O preço rompeu a parede de ordens de venda e depois perdeu o nível
Gráfico ao Vivo

Um Mercado de Baixa Raso

Nos mercados de baixa de 2018 e 2022, o Bitcoin passou meses abaixo do Preço Realizado, o preço médio pago por todas as moedas em circulação. Este mercado de baixa nunca fechou abaixo dele. Mesmo em seu fechamento mais baixo, em 30 de junho, o Bitcoin estava cerca de um décimo acima do Preço Realizado, e ainda mais acima da Base de Custo do LTH.

Um fundo tão raso significa que o investidor médio nunca ficou no vermelho. Com o preço de volta acima da Média Real do Mercado e da Base de Custo do STH, o ciclo parece estar no início de uma recuperação.

O primeiro mercado de baixa que nunca fechou abaixo do Preço Realizado
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A Macro Endurece

O CPI de setembro, divulgado hoje, veio acima das projeções, com a inflação cheia em 3,7% e o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, em 2,6%. O Bitcoin recuou em questão de minutos após a divulgação. As expectativas de inflação das famílias subiram ainda mais, e a diferença entre elas e o núcleo da inflação é agora a maior em três anos.

O Fed já agiu uma vez. Em 16 de setembro, elevou os juros em um quarto de ponto percentual, sua primeira alta desde 2023. O Bitcoin absorveu bem a decisão: mal recuou nos três dias seguintes e, uma semana depois, estava mais de um décimo mais alto. Após o dado de hoje, os traders de futuros elevaram as chances de uma segunda alta na reunião que termina em 28 de outubro, e as eleições de meio de mandato nos EUA vêm em seguida, em 3 de novembro.

A inflação esperada está se distanciando da inflação medida
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Euforia nas Altcoins, Moeda a Moeda

O Indicador de Euforia das Altcoins (Altcoin Froth Indicator) combina duas leituras, cada uma classificada em relação ao próprio histórico: a euforia por moeda, que mede quantas altcoins carregam alavancagem elevada em relação ao próprio passado, e a euforia global, que aplica o mesmo teste ao mercado de altcoins como um todo. A euforia por moeda está em seu quintil superior desde 28 de setembro. A euforia global está baixa e não volta ao seu quintil superior desde a escalada que antecedeu o crash de outubro de 2025.

A euforia em muitas moedas individuais, enquanto o mercado como um todo segue calmo, aponta para bolsões de alavancagem concentrada. Esses bolsões seriam os mais expostos caso o Bitcoin escorregue em direção às ordens de compra em US$ 80 mil.

A euforia por moeda está alta, mas a euforia global ainda não
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Conclusão

O Bitcoin está encurralado entre um suporte firme abaixo e uma oferta pesada acima. O curto prazo pede cautela: os ETFs voltaram a vender, o CPI de setembro veio quente antes da decisão de juros de outubro e das eleições de meio de mandato, e os compradores dos últimos dois anos aguardam perto do seu ponto de equilíbrio, acima de US$ 88 mil. A visão de longo prazo é mais forte: as vendas com prejuízo secaram, quem está em lucro lidera os gastos e este mercado de baixa nunca fechou abaixo do Preço Realizado.

Um fechamento diário acima de US$ 88 mil, com a volta das entradas nos ETFs, mostraria a demanda absorvendo a oferta acima do preço. Um rompimento das ordens de compra em US$ 80 mil e da base de custo dos ETFs colocaria ao alcance a Média Real do Mercado, perto de US$ 78 mil.

Dados até 13 de outubro de 2026 para as métricas on-chain diárias, até 12 de outubro de 2026 para os fluxos dos ETFs e até 14 de outubro de 2026 para o preço horário, o mapa de calor de liquidações e o livro de ofertas da Binance. O dado do núcleo do CPI de setembro vem da divulgação do BLS de 14 de outubro de 2026; os pontos diários mais recentes ainda estão sujeitos a revisão.

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